

No agitado panorama cinematográfico da década de 1960, poucos cineastas tiveram um papel mais decisivo que Jean-Luc Godard. De Acossado (1960), obra basilar da Nouvelle Vague, aos filmes militantes do Grupo Dziga Vertov após 1968, o cineasta instigou a linguagem do cinema até o limite. Em uma década, realizou quase vinte longas-metragens que subverteram gêneros consagrados, do musical em Uma Mulher é uma Mulher (1961) à ficção científica de Alphaville (1965), apontando novos caminhos e provocando uma verdadeira revolução estética.



A partir de meados da década, Godard repensou os parâmetros de seu cinema. Lançado em 1965, O Demônio das Onze Horas já anunciava a crise que o levaria a uma notável inclinação política. O relacionamento com a atriz Anne Wiazemsky marca sua aproximação ao pensamento maoísta e às discussões inflamadas no cenário universitário francês. Filmes como Duas ou Três Coisas que Sei Dela (1967), A Chinesa (1967) e Weekend à Francesa (1967) assinalam essa nova fase, na qual política e cinema passaram a caminhar lado a lado, investigando as contradições da sociedade de consumo e os rumos da luta de classes. Após os acontecimentos de Maio de 1968, Godard abandonou o cinema industrial e organizou o coletivo Dziga Vertov, propondo a construção de diversos "Vietnãs cinematográficos". O lema do grupo era claro: não apenas fazer filmes políticos, mas fazê-los politicamente.
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Objetivos
O curso Godard 60: uma década revolucionária, ministrado por Leonardo Bomfim, propõe um mergulho na filmografia que Jean-Luc Godard construiu ao longo da década de 1960, destacando as inúmeras rupturas de linguagem que redefiniram o cinema, a partir de filmes emblemáticos como Acossado, O Desprezo, O Demônio das Onze Horas, Weekend à Francesa e Vento do Leste.

Conteúdos
Aula 1
Acossado e a explosão da Nouvelle Vague.
Os anos Anna Karina
O Desprezo: o cinema em questão

Aula 2
O Demônio das Onze Horas:
autorretrato de um cineasta em crise
Os anos Anne Wiazemsky
O Grupo Dziga Vertov: “Eu quero mudar o mundo”

Jornalista e Doutor em Comunicação Social (PUCRS), Natural do Rio de Janeiro, Brasil. É Programador da Cinemateca Capitólio, espaço dedicado à preservação e difusão cinematográfica localizado em Porto Alegre. Foi programador do Cine P. F. Gastal, na mesma cidade, entre 2013 e 2017. Foi curador das mostras Cinema Marginal (2008), Cinema Novo: Brasil em Transe (2017) e Cinema de Invenção (2019). Realizou trabalhos de programação para festivais brasileiros como Olhar de Cinema, Gramado e Brasília. Publicou textos em revistas como Archive Prism (Coreia do Sul), Cahiers du Cinéma (França), La Vida Útil (Argentina) e Teorema (Brasil). Já ministrou os cursos Novos Cinemas dos Anos 60; Brian De Palma: O Poder da Imagem; Lumière, Méliès & Outros Pioneiros e A Gênese da Nova Hollywood pela Cine UM.




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