

O cinema de horror consolidou-se, ao longo de sua história, como um dos gêneros cinematográficos mais expressivos da cultura contemporânea. Muito além do entretenimento, suas narrativas dialogam com medos, tensões, conflitos e transformações sociais, convertendo-se em importantes espaços de produção de significados sobre o mundo. Monstros, epidemias, fantasmas, psicopatas, criaturas sobrenaturais e cenários apocalípticos não constituem apenas elementos ficcionais, mas também formas simbólicas por meio das quais diferentes sociedades expressam inquietações relativas a questões políticas, econômicas, culturais e de identidade.

A partir das contribuições dos Estudos Culturais em Educação, compreende-se que o cinema atua como uma potente pedagogia cultural, ensinando modos de perceber a realidade, produzindo representações, constituindo identidades e participando da formação dos sujeitos. Sob essa perspectiva, o horror deixa de ser entendido apenas como um gênero voltado ao medo ou ao sobrenatural, passando a ser reconhecido como um espaço privilegiado para refletir sobre processos de normalização, relações de poder, produção de diferenças, estigmatizações e conflitos sociais. Desse entendimento emerge a noção de pedagogias do horror, compreendidas como os diferentes processos de aprendizagem, reflexão e problematização suscitados pelas produções do gênero a partir de suas particularidades narrativas, estéticas e sensoriais, bem como de sua potência visceral, capaz de provocar desconforto, mobilizar afetos e tensionar aquilo que, muitas vezes, permanece naturalizado na vida cotidiana.

Nesse contexto, o curso propõe uma aproximação entre educação, cultura e cinema de horror, analisando produções cinematográficas nacionais e internacionais que possibilitam discutir temas como envelhecimento, extremismo, racismo, consumismo, fundamentalismo religioso, necropolítica, misoginia e heteronormatividade. Para isso, serão analisadas obras como The Amusement Park (1975), de George A. Romero; A Coisa (1985), de Larry Cohen; Gênesis 22 (1999), de Jeferson De; Zumbis na Neve (2009), de Tommy Wirkola; Morto Não Fala (2018), de Dennison Ramalho; e They/Them – O Acampamento (2022), de John Logan, entre outras produções. Ao longo das atividades, serão articulados referenciais dos Estudos Culturais em Educação com análises fílmicas, buscando evidenciar como o horror pode constituir-se em uma importante ferramenta para compreender a sociedade contemporânea e os processos educativos que atravessam o cotidiano para além da escola.
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Objetivos
O curso Telas do Medo: O Que o Horror nos Ensina?, ministrado por Lucas Bitencourt Fortes, vai analisar o potencial pedagógico presente nas produções cinematográficas do gênero de Horror, compreendendo-as como pedagogias culturais que produzem significados, ensinam modos de compreender o mundo e participam da constituição de identidades, diferenças e formas de subjetivação. Para tanto, o curso propõe discutir os principais conceitos que fundamentam esse campo de investigação, refletir sobre as pedagogias do horror e analisar diferentes produções cinematográficas, buscando compreender como questões sociais, políticas, culturais e educacionais são representadas e problematizadas por meio das narrativas do gênero.

Conteúdos
Aula 1
- Breve história e conceituação do cinema de horror
- Das pedagogias culturais às pedagogias do horror
- Interfaces das pedagogias do horror
- O estigma do envelhecimento em The Amusement Park
- Controle social e o medo do Outro em Teenage Caverman
- Renascimento do extremismo em Zumbis na Neve (Dead Snow)
- Representações de negritude em Gênesis 22
Filmes de referência
Teenage Caveman (1958) - Roger Corman
The Amusement Park (1975) - George A. Romero
Zumbis na Neve (Dead Snow) (2009) – Tommy Wirkola
Gênesis 22 (1999) – Jeferson De

Aula 2
- Consumismo e a ameaça comunista em A Coisa
- O fundamentalismo religioso em Martin
- Identidade e necropolítica em Ninjas
- O horror heteronormativo em They/Them – O Acampamento
- Religião e militarismo em A Cor que Caiu do Espaço
- Machismo e misoginia em Morto Não Fala
Filmes de referência
A Coisa (1985) - Larry Cohen
Martin (1977) - George A. Romero
Ninjas (2010) – Dennison Ramalho
They / Them - O Acampamento (2022) – John Logan
A Cor que Caiu do Espaço (2016) - Petter Baiestorf
Morto Não Fala (2018) - Dennison Ramalho

Ministrante: Lucas
Bitencourt Fortes
Doutorando em Educação pela UFRGS, na
linha de pesquisa Arte, Linguagem e Currículo. Mestre em Educação pela ULBRA.
Integrante da RIECEdu (Rede Internacional de Estudos Culturais em Educação) e
do GRITEH! (Grupo de Reflexão e Investigação do Terror e Horror). Atualmente
desenvolve pesquisas sobre o cinema de horror negro brasileiro, a partir das
contribuições dos Estudos Culturais em Educação.












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