

O movimento dos cinemas novos dos anos 1960 inaugurou uma outra maneira de entender a sétima arte e consolidou uma vertente crítica dentro das estéticas cinematográficas. Jean-Luc Godard, Glauber Rocha, Agnès Varda, Pier Paolo Pasolini, grandes nomes se formaram a partir deste momento da cultura. Na Alemanha, contudo, essa efervescência não é compreendida de imediato, e é apenas no final da década que veremos um grupo de cineastas reivindicar o chamado "cinema de autor" para si.


As respostas para esse dilema são as mais diversas. Wenders aposta na fuga e vê com olhos melancólicos a experiência de estar num mundo cercado pela violência. Fassbinder se encontra numa dialética permanente de invenção e autodestruição, e realiza um estudo do conflito em seus melodramas urbanos. Herzog lança-se numa busca por novas imagens e novas realidades que possam desterrar e descentrar a própria noção de ser humano. Outros cineastas são mais próximos do cinema militante e inventam uma estética como forma de luta política, seja pelo viés experimental, como em Straub e Huillet, seja pelo viés biográfico e narrativo, como em Von Trotta. O sentido do que é político nesses cinemas é variável, mas subjaz em boa parte dos filmes um compromisso ético tanto com a ficção quanto com a realidade.


Objetivos
O curso NOVO CINEMA ALEMÃO: CRÔNICAS DO SUBLIME, ministrado por Lennon Macedo, percorre a história e a geografia do cinema moderno na Alemanha, suas origens, seus diálogos com o passado e com o presente, seus principais nomes e filmes. A partir desse exame, será possível compreender a contribuição alemã para o movimento dos cinemas novos e suas influências sobre o cinema contemporâneo. As aulas serão expositivas e dialogadas, onde serão trabalhadas cenas de filmes e citações de textos recomendados.
%20-%20Win%20Wenders.gif)

Conteúdos
Aula 1
- Um espectro
ronda o cinema alemão: o ocaso do Expressionismo.
- Outro
espectro ronda: como filmar depois de Auschwitz?
- Os cinemas
novos da Europa e o Manifesto de Oberhausen.
- 1971: A
produção nas mãos dos autores.


Aula 2
- Alemanha em
pedaços: cinemas do conflito, cinemas da fuga.
- Rainer
Werner Fassbinder: a anarquia da ficção.
- Werner
Herzog: imagens do sublime.
- Wim
Wenders: estradas sem fim.
- Os rumos contemporâneos do novo cinema.

Ministrante: Lennon Macedo
Professor e pesquisador da Associação de Pesquisas e Práticas em Humanidades (APPH). Doutor em Comunicação pela UFRGS, participa do Grupo de Pesquisa em Semiótica e Culturas da Comunicação (GPESC/UFRGS) e da Unidade de Investigação em Artes da Universidade da Beira Interior, de Portugal (iA*/UBI). Atuou como jornalista no fanzine de crítica de cinema Zinematógrafo e em festivais como Cine Esquema Novo e Fantaspoa. Compõe também o coletivo de arte gráfica Selo Manada, em Porto Alegre. Investiga atravessamentos entre Audiovisualidades, Comunicação e Semiótica, com foco em Cinema Contemporâneo, Teoria de Cineastas, Teorias da Comunicação e Pós-Estruturalismo. Ministrou os cursos O Dragão Vive: Glauber Rocha 80 Anos (2019) e Cinema de Fluxo: A Estética Desacelerada do Contemporâneo (2025) para a Cine UM.




Nenhum comentário:
Postar um comentário