quarta-feira, 6 de maio de 2026

Cinema Estrutural

 




Em 1969, o historiador do cinema P. Adams Sitney publica na revista Filme Culture Reader o texto Structural Film. Nesse curto artigo, o autor propõe uma nova nomenclatura para uma específica produção de cinema experimental norte-americano: filmes estruturais. A categoria de Sitney diz respeito a obras que priorizam a forma em detrimento do conteúdo através de uma objetividade da linguagem. Planos simples, movimentos de câmera, cópias em loop e o efeito de flicker são utilizados com o objetivo de revelar as particularidades materiais da película, ou, como descrito no ensaio, revelar sua “estrutura”.


Passados mais de 50 anos, o ensaio inaugural do movimento já foi lido, reinterpretado e até mesmo criticado à luz de novos pressupostos teóricos, mas seu pioneirismo há de seguir reconhecido. Artistas e realizadores como Michael Snow, Joyce Wieland, Hollis Frampton, Ernie Gehr e Paul Sharits, entre outros, passaram a ser vistos como um grupo cujas pesquisas estéticas tinham como principal diretriz a revelação dos aparatos ilusórios da imagem cinematográfica hegemônica. Zooms intermináveis, imagens estáticas, fotografias queimadas e a uma curiosa relação entre o ser humano e a máquina são algumas das armas escolhidas pelos cineastas estruturais nesse campo de batalha imagético contra a ilusão do cinema institucional.


Por mais que o recorte histórico dessa corrente seja bem delimitado – anos 1960 e 1970 –, o Cinema Estrutural norte-americano não deixa de abrir diálogo com um passado vanguardista, uma vez que muitos de seus estudos formais podem ser vistos nos filmes dadaístas dos anos 1920. Ainda que os direcionamentos de seus cineastas sejam pautados nas especificidades do aparato cinematográfico, é perceptível neles uma aparente influência do minimalismo, da arte conceitual e, até mesmo, da land art. Além disso, as próprias fronteiras geográficas que delimitam o início do cinema estrutural deixam de ser respeitadas, fazendo com que resquícios de sua filosofia cinematográfica possam ser vistos, por exemplo, em experimentações fílmicas de artistas visuais brasileiros como Antônio Dias e Paulo Bruscky.

Longe de ser uma corrente homogênea, o cinema estrutural norte-americano pode ser interpretado como uma vertente cinematográfica que não está unida por supostas semelhanças estilísticas, mas sim por um ímpeto subversivo do material base que constitui o cinema: a imagem em (aparente) movimento.


Objetivos

O curso CINEMA ESTRUTURAL: UMA BATALHA CONTRA A ILUSÃO, ministrado por Frederico Franco, tem como objetivo analisar as principais características estéticas e as principais obras que moldaram o Cinema Estrutural norte-americano ao longo dos anos 1960 e 1970. Ao longo dos encontros, serão observados seus diálogos com sua herança vanguardista, os debates que formaram o movimento, possíveis interlocuções com as artes visuais e reflexos no cinema brasileiro. Ao final, busca-se compreender como o estrutural não representa apenas uma força reativa formal, mas também um instrumento de subversão política.



Conteúdos


Aula 1

- Protótipos: uma herança vanguardista, do dadaísmo a Andy Warhol.

- Debates: as publicações de P. Adams Sitney e Georges Maciunas.

- Conflitos: o estrutural versus o institucional.

- Ilusões: arbitrariedade, espaço e tempo.

Aula 2

- Diálogos: Michael Snow, cinema estrutural e arte contemporânea.

- Teorias: a organização teórica por Peter Gidal.

- Reflexos: o estrutural no Brasil e no cinema contemporâneo.



Ministrante: Frederico Franco

Pesquisador e crítico de cinema. Bolsista de Doutorado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAV | UFRGS), na linha de pesquisa Imagem, cultura e memória. Mestre em Cinema e Artes do Vídeo pela Universidade Estadual do Paraná (PPG-CINEAV | UNESPAR). Autor de artigos e um capítulo de livro a respeito do cinema estrutural e da obra de Michael Snow. Atualmente pesquisa interlocuções entre cinema experimental e artes visuais, cinema experimental brasileiro e cultura marginal a partir da obra de Torquato Neto.



Curso
CINEMA ESTRUTURAL: 
UMA BATALHA CONTRA A ILUSÃO
de Frederico Franco


Datas
06 e 07 / Junho
(sábado e domingo)

Horários
14h30 às 17h30

Duração
2 encontros presenciais
(carga horária: 6 horas / aula)

Local
Cinemateca Capitólio
(Rua Demétrio Ribeiro, 1085 - Centro Histórico - Porto Alegre - RS)


Material
Certificado de participação


Investimento

Lote 1 (até 24/05)
R$ 65,00


Formas de pagamento
Cartão de crédito (em até 3x)
Boleto
Depósito / Pix



FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO

 







Informações

cinema.cineum@gmail.com  /  Fone: (51) 99270-1352




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